“Palabra de Futbolista”, por Artur Galocha

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Explicar seu fanatismo por futebol pode dar trabalho. Especialmente quando a missão é convencer sua mulher a permitir um pôster de Eric Cantona na sala de casa. O designer espanhol Artur Galocha passou por isso. E resolveu a situação com labuta, no caso dele, arte. Criou a série “Palabra de Futbolista”, a fim de mostrar que certos craques vão além do talento com a bola.

Galocha pinçou frases de efeito de futebolistas geniais dentro e fora de campo, entre eles Sócrates, o que deu toque erudito aos cartazes. A ponto de induzir uma mulher de fino trato a pendurá-los na parede. Confira alguns deles e saiba mais sobre o designer na entrevista concedida ao FUTEBOL DE CAMPO.

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“Nasci em Lugo, na Galícia, há 30 anos. Trabalhei como infografista no “El Mundo” e agora sou diretor de arte da revista de futebol e cultura, “Líbero“, além de designer e infografista freelancer. Meu interesse pelo design, maior do que o pela arte, vem de meu pai e do jornalismo. Não sou muito bom desenhando, diferentemente de meu irmão, por isso minha técnica é baseada no retoque de fotos com Photoshop, Illustrator e layout digital. Tenho bastante influência da arte pop, design de revistas (especialmente dos anos 90) e do construtivismo e vanguardismo russo.”

“O futebol é um dos meus maiores hobbies. Gosto de assistir a bons jogos e, acima de tudo, compartilhar esses momentos com os amigos. Gosto ainda mais de jogar. O futebol permite 90 minutos de fuga, serve para esquecer os problemas. Mas não sou daqueles torcedores fanáticos. Não choro quando meu time perde, por exemplo. Mesmo porque torço para o Deportivo La Coruña e, ultimamente, estamos habituados a perder.”

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“Adoro o lado romântico e poético e educacional do futebol, sobretudo na infância – todos os amigos que me acompanham ao longo da minha vida foram meus companheiros de jogo. Vou pouco a estádios. Tento, ocasionalmente, ir ao Santiago Bernabeu e ao Vicente Calderón e, agora que mudei para Barcelona, tentarei visitar o Camp Nou, embora os preços do futebol na Espanha sejam proibitivos. Prefiro mesmo reunir um grupo de amigos e vê-lo em casa.”

“O processo de criação de “Palabra de Futbolista” foi simples. Queria decorar minha sala com um pôster de Eric Cantona, mas sabia que minha namorada não ia gostar de ver a foto de um jogador francês todas as manhãs. Então pensei em fazer uma coisa mais “elaborada” para poder “enganá-la”. Fazendo uns testes veio “Palavra de Futebolista”. Escolhi destacar certas frases a fim de mostrar que certos jogadores não são apenas marionetes, apesar de parecerem. Alguns expressam suas opiniões. O mote era usar citações para expressar ideias que compartilho e ligá-las a acontecimentos políticos, sociais ou pessoais. Interessam-me os atletas com voz, com vontade de dizer algo, de agregar a uma cultura pop que abrange a sociedade em todos os âmbitos.”

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“Precisamos de mais Sócrates. Jogadores como ele praticamente desapareceram. Neste mundo de pensamentos únicos, opiniões diferentes às vezes não são bem aceitas, sobretudo no futebol. Sócrates ligou o futebolista ao trabalhador. Desceu do pedestal. Afinal, são pessoas normais, com a vantagem de ter um alto-falante capaz de reverberar suas palavras. Atualmente, Guardiola é um dos poucos que falam livremente a respeito, por exemplo, do referendo que trata da independência da Catalunha. E é criticado. Há uma visão de que pessoas do futebol não devem falar sobre assuntos fora do futebol, mas que afetam a toda a sociedade.”

Para ver a galeria completa de “Palabra de Futbolista” clique aqui.

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Kit vintage, por SLip

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De uma brincadeira com o irmão veio a inspiração para um atraente trabalho futebolístico de Sylvain Cotte. SLip, como é conhecido o designer francês, costumava conversar com o caçula sobre camisas de times que gostavam na infância. O artista tem 39 anos e o mano, 36. Normal então terem vindo à mente modelos do final dos anos 70, 80 e início dos 90. Desse mix saiu a série Home/Away Kit. Confira o resultado e trechos da entrevista ao blog.

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“Sou de Lyon. Trabalho há anos com music graphism para uma banda francesa chamada “Apple Jelly“. Faço também colagens substituindo cabeças de animais. Produzi um monte de obras de arte em torno do esporte, em especial um projeto chamado ‘The Football League Sem Cabeça‘.”

“A série Home/Away Kit surgiu de uma brincadeira com meu irmão. Conversávamos bastante sobre os uniformes que curtíamos na infância. Mais tarde trabalhei no tema e o transformei em cartazes. Pensei nos modelos que ficaram na memória e misturei com equipes que conquistaram algo.”

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“Prevaleceram as favoritas da infância. Felizmente, cresci na era de ouro do futebol, com craques como Platini, Zico, Sócrates…Equipes maravilhosas como a França de 86 estão entre minhas prediletas (desculpe por vocês, brasileiros).”

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“Sempre amei times e jogadores com algo diferente, mesmo que não tenham sido campeões. Meu clube do coração na França foi o Saint-Etienne. Ganhou vários campeonatos franceses, no entanto marcou demais  a derrota na final da Liga dos Campeões em 1976 . Um duelo histórico que está na lembrança de quase todos na região (este SLip não viu, afinal tinha só 3 anos). Tal qual França x Alemanha na Copa de 82. Por jogos e times assim nasceu essa coleção.”

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Para ver a série completa clique aqui.

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Adiós, San Mamés

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Ah, o “progresso”…Nesta segunda (10) começou a ser demolido o centenário San Mamés, estádio do Athletic Bilbao, inaugurado em 21/08/1913. No lugar da Catedral, como era conhecido, será erguida uma dessas novas arenas, a San Mamés Barria, com capacidade para 55 mil. O site do clube postou 51 fotos do início da derrubada, prevista para terminar em agosto. Selecionei algumas.

Clube de personalidade. Não aceita estrangeiros. Nisso inclui o resto da Espanha. Só bascos no time. Ainda assim, junto com Barcelona e Real Madrid, compõe o trio espanhol jamais rebaixado. No último jogo do San Mamés, dia 26 de maio, o Bilbao perdeu por 1 a 0 do Zaragoza. Não era mesmo dia de comemoração.

Abaixo, uma simulação em 3D do novo estádio.

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Cards do WallCup

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WallCup é um aplicativo de prognósticos de resultados de jogos de futebol. Pelejas das principais ligas pelo mundo afora, inclusive o Brasileirão. Pode-se criar grupos, compartilhar os palpites e, conforme o participante vai acumulando pontos, ganha cards de status. Não envolve grana.

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Na verdade, não me interessei pelo funcionamento do app, mas sim pelo design dos cartões. Material de qualidade. Destaco a série voltada às torcidas, em várias línguas. Há outras no site. Pena não constar o crédito das artes.

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Vi no site Impedimento. E concordo com eles: esta é insuperável. Segunda divisão do futebol argentino. Torcedores do Nueva Chicago infiltraram em sua torcida um travesti com a camisa do rival Almirante Brown, por puro sarro. Da periferia de Buenos Aires, os clubes são rivais ferrenhos. Os fanfarrões vêm de Mataderos e os visitantes de Isidro Casanova.

Reparem no vídeo. A despeito do preconceito, a protagonista da galhofa entrou na dança. Requebrou e exibiu suas “curvas” como se estivesse no nosso Carnaval. Sem ser molestado, diga-se, pelos gozadores. Apesar da vitória por 1 a 0, no último dia 26, o “Torito” já está matematicamente condenado à terceira divisão. A galera, contudo, não parece triste.

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Sobre perros e porcos

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A torcida do Palmeiras fez a sua parte. Festa incrível. No fim bateu o desespero e o garotinho entrou debaixo da bandeira para não ver o final infeliz.

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Alguns poucos mexicanos, por outro lado, viajaram 14 horas para chegar a SP.

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Matraca mexicana entrou no Pacaembu. Domingo, caxirola corintiana, não.

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Corinthians x Boca já tem 26 mil ingressos “carimbados”

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O Corinthians deve divulgar amanhã em seu site o esquema de venda de ingressos para o jogo de volta contra o Boca Juniors, dia 15 de maio, no Pacaembu, pelas oitavas de final da Libertadores. Ao Futebol de Campo, o gerente de arrecadação do alvinegro, Lucio Blanco, afirmou nesta tarde que cerca de 26 mil entradas já estão reservadas aos torcedores que fizeram a troca pelo tíquete da partida contra o Millonarios, realizada com portões fechados.

Com isso, segundo Blanco, sobrariam cerca de 9 mil, incluindo a parcela reservada aos patrocinadores da Conmebol. O restante será posto à venda com exclusividade, por 24 horas, aos associados do Fiel Torcedor. Se houver sobra, o que é praticamente impossível, a negociação será estendida aos demais interessados.

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Barras El Comic

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Este é para quem curte quadrinhos. Lançada em outubro passado, Barras El Comic conta estórias baseadas na violenta relação entre as torcidas organizadas argentinas – as Barra Bravas. Em especial as das pequenas cidades conurbadas a Buenos Aires (Claypole, La Matanza, San Isidro, Beccar e Villa Celina), regiões consideradas perigosas.

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Projeto independente, escrita e desenhada por Emilio Utrera, a terceira edição está em fase final (primeiras capas abaixo). A meta é chegar à quinta este ano. Não há periodicidade fixa. Baixa tiragem, a fim de preservar a qualidade gráfica, é política do criador. Para encomendar, clique aqui e entre em contato. Em Buenos Aires, procure em bancas do centro.

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Confira abaixo os principais trechos da entrevista que Utrera concedeu ao Futebol de Campo, intercalados por desenhos dos dois primeiros números.

“Escolhi as torcidas, os barra bravas especificamente, pelo gosto por desenhar a violência e a dinâmica do corpo humano, dos grupos humanos. Sempre que desenho algo penso primeiro que tenho de me divertir. Depois trato de que seja sobre um tema provocador, com alta dose de atualidade, e que retrate uma realidade marginal.”

“Interesso-me pela paixão por uma equipe de futebol, pelo que provoca nas pessoas e pelo que provoca em mim. Toda essa energia junta, sob uma mesma bandeira, é muito forte. Que não se confunda com apologia à violência, preconceito que notamos claramente quando buscamos apoio de patrocinadores.”

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A violência é cultural. Está nas famílias, na escola, nos sistemas de governo e seus poderes. Os vocabulários são violentos, a programação da TV é ultraviolenta, os videogames são violentos etc. Portanto, a violência nos estádios é relativa. É um tipo de violência muito mais exposta, mas não necessariamente maior do que as outras.”

“Dos quadrinhos minhas influências vêm de Frank Miller; Bill Scienkewicz; Sam Kieth Franquin; Enrique Breccia e Rafael Grampá (Brasil). Da pintura argentina e latino-americana admiro Antonio Berni e Alonso Siqueiros. No cinema, destaco ‘El Bonaerense’; ‘Pizza, Birrra y Faso’; ‘Cidade de Deus’; ‘Tropa de Elite’; ‘Machete’. Obras com forte identidade local, mescladas com algo de fantasia.”

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Dá-lhe, dá-lhe…

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…porco. Torcida e alegria voltaram.

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Os libertadores

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“Brava gente brasileira, longe vai temor servil, são 12 homens inocentes e cidadãos do meu Brasil”, cantou a torcida do Corinthians. A Gaviões da Fiel deu o tom do protesto contra a prisão de seus pares na Bolívia.

Já os torcedores do San José lembraram a morte de seu par Kevin Spada com faixas pedindo “paz entre hermanos”. Fora do Pacaembu, antes da partida, as duas torcidas se uniram nas manifestações. Dentro, respeitaram-se.

Acompanhei o primeiro tempo junto aos bolivianos. Tratam o futebol de modo distinto do que estamos habituados. Aplaudiram os escalados por Tite durante a apresentação no placar eletrônico. Até com certa reverência. Durante o hino – o nosso – postaram-se de pé. Alguns com a mão direita no peito.

Lamentam a tragédia de Oruro, claro, mas entendem que inocentes não devem pagar, assim como clamam as organizadas alvinegras. Faltou apenas, do lado corintiano, também um brado em memória da principal vítima no caso.

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