Sausalito, in memoriam

Mauricio Saraiva Belles/'Casa del Deporte' de I. Municipalidad de Viña de l Mar

Mauricio Saravia Belles/’Casa del Deporte’ de I. Municipalidad de Viña de l Mar

O estádio onde Pelé e Garrincha iniciaram a campanha do bi mundial foi abaixo. Acabou de ser demolido o histórico Sausalito, sede do Brasil na Copa de 1962. Em seu lugar será erguida uma nova arena padrão Fifa, esta para o Chile receber a Copa América de 2015 e o próximo Mundial sub-17, em Viña del Mar.

No Sausalito, a seleção disputou quatro partidas em 62. Vitórias contra México e Espanha e empate ante a Tchecoslováquia na primeira fase. Nas quartas, bateu a Inglaterra. Erguido em 1929, o estádio tinha capacidade para 18 mil pessoas, mas há relatos de 30 mil num jogo em 1976 entre o local Everton e o Colo-colo.

A reforma era inevitável, com ou sem Copa América. Parte da estrutura ficou abalada pelo fortíssimo terremoto de 2010. Com uma extensa rachadura, um setor inteiro da arquibancada estava interditado, o que limitou o público a 7 mil.

Anfitrião também da Copa América de 91, o Sausalito é a casa do Everton, clube de Viña com uniforme similar ao do Boca Juniors. Subiu no ano passado à primeira divisão. Teve seus dias de glória. Chegou à Libertadores quando passou por lá o argentino Miralles, ex-Grêmio e Santos.

O novo Sausalito poderá receber até 23 mil torcedores. Custará cerca de R$ 49 milhões, miudeza comparado aos gastos das arenas tupiniquins para 2014. Deve terminar no meio do próximo ano. De dar mais inveja é a transparência no detalhamento das despesas. Confira. Abaixo, um vídeo mostra como ficará.

Localizado à margem da lagoa que dá nome ao estádio, o Sausalito se encaixa num cenário bucólico. No alto de um morro, em meio a vegetação exuberante. Céu sempre azul, chuva em Viña del Mar é raridade.

Além de toda a história, tenho apreço especial por este estádio. Meu irmão morou anos em Viña e em uma das visitas, em dezembro passado, assisti a um jogo do Everton. Justamente no ano do cinquentenário do bicampeonato mundial. Primeira e única vez no Sausalito tal qual era em 62.

Deixará saudades.

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Todas as fotos foram cedidas por “Casa del Deporte” de I. Municipalidad de Viña del Mar e são de autoria de Mauricio Saravia Belles.

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Sausalito, 50 anos depois

Este ano comemora-se no Brasil o cinquentenário do bicampeonato mundial. Data oportuna para o governo chileno ter anunciado a reforma de um ícone dessa conquista: o Sausalito, em Viña del Mar (Chile), onde a seleção brasileira fez suas quatro primeiras partidas naquela Copa. O estádio será uma das sedes da Copa América de 2015.

E realmente, sobretudo por sua importância histórica, requer obras. Parte da arquibancada rachou no intenso terremoto que assolou a região em 2010. Desde então a área está interditada. Os banheiros, embora se pague para usá-los, estão em estado precário. E não há assentos nas arquibancadas. A visibilidade, porém, é boa de qualquer ponto, raridade no Brasil.

Pela segunda vez, a equipe do blog visitou o Sausalito para acompanhar o Everton, time local. E não demos sorte, de novo. Na primeira ocasião, na final da segunda divisão, ano passado, o clube empatou com o Rangers em 3 a 3 e perdeu a chance de subir. Neste domingo, foi derrotado pelo pequeno Deportes Barnechea, de Santiago, e despencou na classificação.

O Everton vai mal, apesar de ter o elenco mais caro da Série B. A pressão é grande para que reviva seus melhores momentos. Há três anos, disputou a Libertadores da América e o craque do time era o atacante argentino Miralles, ex- Colo-Colo, Grêmio, e hoje no Santos.

Chama a atenção a quantidade de crianças. Durante o jogo, várias peladas são disputadas nas áreas ao lado dos alambrados. No intervalo, correria da garotada atrás das bolas de plástico atiradas como brindes.

Mesmo na segunda divisão, o Everton leva bom público ao Sausalito. Neste domingo, ao meio-dia, foram 3.700 pagantes. Os ingressos mais baratos, nas chamadas galerias, custam cerca de R$ 10. O último Santos x Cruzeiro, neste Brasileirão, por exemplo, atraiu apenas 3.200 à Vila Belmiro.

O que se come no estádio de Viña e nos brasileiros é bem parecido. Amendoim, churros e o tradicional misto. Este, porém, com uma peculiaridade. Vem com abacate, comum na cozinha chilena.

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