Minimalismos, por André Fidusi

81

Assim que acaba um campeonato ou um jogo importante torcedores em bares e jornalistas em mesas-redondas passam horas e horas debatendo. Repetem os melhores momentos à exaustão e se atêm a cada detalhe. O tempo passa. E dez, vinte, cinquenta anos depois, por maior que tenha sido o evento, basta um lance para identificá-lo.

Foi o que fez o artista André Fidusi. Resumiu as histórias de todas as Copas do Mundo e as partidas da campanha vitoriosa do Galo na Libertadores em desenhos minimalistas. O pênalti isolado por Baggio em 94; a entregada dos peruanos na Copa da Argentina; o apagão no estádio Independência no Atlético x Newell´s Old Boys, a defesa milagrosa de Victor contra o Tijuana e por aí vai. Confira o resultado e trechos da entrevista concedida ao FUTEBOL DE CAMPO.

“Aprendi a desenhar sozinho. Sou jornalista e publicitário, nunca fiz curso especifico de desenho. Aprimorei com a prática. Em 2006 comecei a me dedicar profissionalmente à ilustração. Montei um portfólio, fui atrás de trabalho e criei o blog , onde posto meus trabalhos. Assim comecei a ficar fiquei conhecido no meio. Hoje trabalho no Futbox.com como ilustrador e tenho trabalhos publicados em salões de humor pelo Brasil. As caricaturas de jogadores são o carro-chefe do trabalho sobre futebol.”

“Minha relação com futebol vem desde sempre. É um assunto que me inspira. Todos os dias surgem ideias novas e assim os trabalhos vão aparecendo. Muitas vezes faço por conta própria e posto no blog.”

“Sou Galo. É minha maior paixão. Vou ao campo desde pequeno. É aquela famosa frase; ‘hoje eu não posso, tem jogo do Galo!’. Acompanho tudo. No campo, na TV, no rádio ou na internet. Não dá pra perder jogo.”

91

“Comecei a desenhar no papel e depois escaneava e finalizava no computador, com Corel, Illustrator e Photoshop. Em seguida adotei a caneta digitalizadora e não parei mais, nem uso mouse mais. Não tenho técnica definida, depende muito do tipo de trabalho que farei. O meu traço já tem uma característica, é mais simples e distorcido.  Gosto de variar as cores para fazer efeitos de sombra e luz e também usar texturas para dar outro tipo de efeito que o desenho pede.”

“A ideia da série ‘A História Minimalista das Copas’ veio quando eu trabalhava numa agência de publicidade. Tentamos fazer algo no estilo minimalista, o projeto não prosperou, mas fiquei com aquilo na cabeça. Como costumo relacionar tudo com futebol, tive a ideia de usar os pictogramas. Decidi então retratar as Copas. Fui pesquisando uma a uma atrás dos momentos marcantes. Quando o Galo foi campeão da Libertadores pensei em fazer o mesmo. Aí a ideia foi mais rápida, só precisei elaborar direitinho para não ficar repetitivo, tanto que na segunda fase não fiz um cartaz para o jogo de ida e outro para a volta, preferi fazer o que marcou do confronto num desenho só.”

1978

Para ver as galerias das Copas e da campanha do Galo completas e outros trabalhos de Fidusi clique aqui.

CURTA NO FACEBOOK

SIGA NO TWITTER

Palmeiras, por Baptistão

evair, POR BAPTISTÃO

Sem se dar conta, Eduardo Baptistão começou a trabalhar jogando futebol de botão. Desenhava carinhas dos jogadores para montar seus times e, de tão legais que ficavam, recebia encomendas dos amigos. Resolveu então enviar uma mostra à seção de cartas da revista “Placar”. Pronto, aos 15 anos teve sua primeira obra publicada.

Adulto, realizou o sonho de publicar profissionalmente na Placar. Hoje tem no currículo obras nos principais jornais e revistas do país. Foram 22 anos no Estadão (até abril passado) e nove no extinto JT. É colaborador da Carta Capital desde 95 e da Veja desde 2004. A lista de trabalhos se estende por Vogue; Playboy; Você/SA; Imprensa; Vip; Sexy.

Eventualmente, ministra oficinas de caricatura, arte na qual tornou-se craque. Autodidata, aprendeu em casa. As primeiras orientações sobre desenho vieram do irmão, seis anos mais velho. E a paixão por futebol – especialmente pelo Palmeiras – do pai. Aos 47 anos, lembra com detalhes quando seu Alceu o levou pela primeira vez para ver o Verdão ao vivo, no Pacaembu, em 1978.

FELIPAO

Confira trechos da entrevista ao FUTEBOL DE CAMPO e alguns dos melhores trabalhos de Baptistão.

“Minha primeira influência foi meu irmão, Alceu Baptistão. Foi quem me deu as primeiras orientações no desenho, quando eu era ainda bem pequeno. E funcionou como professor informal (não estudei desenho formalmente).”

“Muitos artistas me influenciaram: Benicio, Norman Rockwell, os irmãos Caruso, Manoel Victor Filho, para citar alguns. Desde pequeno, meu único interesse no desenho é figura humana. Até hoje não gosto de desenhar outras coisas. Fiz retratos por muito tempo, até descobrir as caricaturas, área em que me especializei há 20 anos. Quanto às técnicas, não sou muito versátil. Na pintura tradicional, uso apenas lápis de cor. De uns anos para cá, também utilizo a técnica digital (Photoshop) para colorir os desenhos.”

“Sou palmeirense desde pequeno por causa do meu pai, Alceu. Ele dizia que era, além de palmeirense, botafoguense – por ter nascido na região de Ribeirão Preto – e juventino – por morar na Mooca. Sempre repeti tudo isso, até descobrir tardiamente o futebol, aos 12 anos, na Copa de 1978. Naquele ano, meu pai me levou a um estádio pela primeira vez, para ver a vitória do Palmeiras sobre o América-RJ por 3 x 0, dois gols de Toninho e um de Jorge Mendonça. Foi na manhã de 2 de julho, dois dias depois do meu aniversário, no Pacaembu. A partir daí, tornei-me fanático e percebi que era só palmeirense – o Juventus permanece no coração como segundo time, mas a uma boa distância do Palmeiras.”

jmendonca1

“Faço desenhos de futebol desde garoto. Meus times de botão – e os dos amigos também – eram todos desenhados por mim. O meu do Palmeiras tinha as carinhas de todos os jogadores, isso numa época em que não havia computador, impressora nem internet para pesquisar fotos. Procurava nas revistas e jornais e tinha de desenhar as carinhas diretamente no selinho que seria colado no botão.”

botoespalm1

“Em 1981, aos 15 anos, desenhei um time inteiro inventado por mim, e mandei para a revista Placar, que eu colecionava. A revista o publicou na seção de cartas na edição de final de ano. Repeti o feito no ano seguinte, com um desenho da seleção da Copa que eu mesmo escalei. Muitos anos mais tarde, realizei o sonho de publicar na Placar como profissional.”

“Desenhei muitas vezes o Pelé, os Ronaldos, o Romário, o Parreira, o Felipão, o Telê, entre outros. Talvez o ídolo que eu mais desenhei tenha sido o Alex, que, infelizmente, não joga mais no meu time.”

alex, POR BAPTISTÃO

CURTA NO FACEBOOK

SIGA NO TWITTER

“Palabra de Futbolista”, por Artur Galocha

2_cantona

Explicar seu fanatismo por futebol pode dar trabalho. Especialmente quando a missão é convencer sua mulher a permitir um pôster de Eric Cantona na sala de casa. O designer espanhol Artur Galocha passou por isso. E resolveu a situação com labuta, no caso dele, arte. Criou a série “Palabra de Futbolista”, a fim de mostrar que certos craques vão além do talento com a bola.

Galocha pinçou frases de efeito de futebolistas geniais dentro e fora de campo, entre eles Sócrates, o que deu toque erudito aos cartazes. A ponto de induzir uma mulher de fino trato a pendurá-los na parede. Confira alguns deles e saiba mais sobre o designer na entrevista concedida ao FUTEBOL DE CAMPO.

3_higuita

“Nasci em Lugo, na Galícia, há 30 anos. Trabalhei como infografista no “El Mundo” e agora sou diretor de arte da revista de futebol e cultura, “Líbero“, além de designer e infografista freelancer. Meu interesse pelo design, maior do que o pela arte, vem de meu pai e do jornalismo. Não sou muito bom desenhando, diferentemente de meu irmão, por isso minha técnica é baseada no retoque de fotos com Photoshop, Illustrator e layout digital. Tenho bastante influência da arte pop, design de revistas (especialmente dos anos 90) e do construtivismo e vanguardismo russo.”

“O futebol é um dos meus maiores hobbies. Gosto de assistir a bons jogos e, acima de tudo, compartilhar esses momentos com os amigos. Gosto ainda mais de jogar. O futebol permite 90 minutos de fuga, serve para esquecer os problemas. Mas não sou daqueles torcedores fanáticos. Não choro quando meu time perde, por exemplo. Mesmo porque torço para o Deportivo La Coruña e, ultimamente, estamos habituados a perder.”

4_DJALMINHA

“Adoro o lado romântico e poético e educacional do futebol, sobretudo na infância – todos os amigos que me acompanham ao longo da minha vida foram meus companheiros de jogo. Vou pouco a estádios. Tento, ocasionalmente, ir ao Santiago Bernabeu e ao Vicente Calderón e, agora que mudei para Barcelona, tentarei visitar o Camp Nou, embora os preços do futebol na Espanha sejam proibitivos. Prefiro mesmo reunir um grupo de amigos e vê-lo em casa.”

“O processo de criação de “Palabra de Futbolista” foi simples. Queria decorar minha sala com um pôster de Eric Cantona, mas sabia que minha namorada não ia gostar de ver a foto de um jogador francês todas as manhãs. Então pensei em fazer uma coisa mais “elaborada” para poder “enganá-la”. Fazendo uns testes veio “Palavra de Futebolista”. Escolhi destacar certas frases a fim de mostrar que certos jogadores não são apenas marionetes, apesar de parecerem. Alguns expressam suas opiniões. O mote era usar citações para expressar ideias que compartilho e ligá-las a acontecimentos políticos, sociais ou pessoais. Interessam-me os atletas com voz, com vontade de dizer algo, de agregar a uma cultura pop que abrange a sociedade em todos os âmbitos.”

1_SOCRATES

“Precisamos de mais Sócrates. Jogadores como ele praticamente desapareceram. Neste mundo de pensamentos únicos, opiniões diferentes às vezes não são bem aceitas, sobretudo no futebol. Sócrates ligou o futebolista ao trabalhador. Desceu do pedestal. Afinal, são pessoas normais, com a vantagem de ter um alto-falante capaz de reverberar suas palavras. Atualmente, Guardiola é um dos poucos que falam livremente a respeito, por exemplo, do referendo que trata da independência da Catalunha. E é criticado. Há uma visão de que pessoas do futebol não devem falar sobre assuntos fora do futebol, mas que afetam a toda a sociedade.”

Para ver a galeria completa de “Palabra de Futbolista” clique aqui.

CURTA NO FACEBOOK

SIGA NO TWITTER

Kit vintage, por SLip

france84

De uma brincadeira com o irmão veio a inspiração para um atraente trabalho futebolístico de Sylvain Cotte. SLip, como é conhecido o designer francês, costumava conversar com o caçula sobre camisas de times que gostavam na infância. O artista tem 39 anos e o mano, 36. Normal então terem vindo à mente modelos do final dos anos 70, 80 e início dos 90. Desse mix saiu a série Home/Away Kit. Confira o resultado e trechos da entrevista ao blog.

cosmos77

“Sou de Lyon. Trabalho há anos com music graphism para uma banda francesa chamada “Apple Jelly“. Faço também colagens substituindo cabeças de animais. Produzi um monte de obras de arte em torno do esporte, em especial um projeto chamado ‘The Football League Sem Cabeça‘.”

“A série Home/Away Kit surgiu de uma brincadeira com meu irmão. Conversávamos bastante sobre os uniformes que curtíamos na infância. Mais tarde trabalhei no tema e o transformei em cartazes. Pensei nos modelos que ficaram na memória e misturei com equipes que conquistaram algo.”

saopaulo92

“Prevaleceram as favoritas da infância. Felizmente, cresci na era de ouro do futebol, com craques como Platini, Zico, Sócrates…Equipes maravilhosas como a França de 86 estão entre minhas prediletas (desculpe por vocês, brasileiros).”

bresil86

“Sempre amei times e jogadores com algo diferente, mesmo que não tenham sido campeões. Meu clube do coração na França foi o Saint-Etienne. Ganhou vários campeonatos franceses, no entanto marcou demais  a derrota na final da Liga dos Campeões em 1976 . Um duelo histórico que está na lembrança de quase todos na região (este SLip não viu, afinal tinha só 3 anos). Tal qual França x Alemanha na Copa de 82. Por jogos e times assim nasceu essa coleção.”

sainte76

Para ver a série completa clique aqui.

CURTA NO FACEBOOK

SIGA NO TWITTER

Estádios, por Lehel Kovács

HAMBURGO_LEHEL

Lehel Kovács é um saudosista. Romeno radicado em Budapeste, apegou-se na juventude ao Ferencvaros, time poderoso nos anos 60, época de ouro do futebol húngaro. A nostalgia está na arte de Lehel. As séries sobre ídolos e estádios históricos mostradas neste post são bons exemplos.

Ilustrador e designer gráfico freelancer, a lista de clientes do artista dispensa comentários: The New York Times, Rolling Stone, The Guardian e outros de igual quilate. Suas obras são como uma viagem no tempo. Linhas dos contornos feitas a lápis e cores criadas digitalmente e na aquarela.

MONUMENTAL_LEHEL

Confira na entrevista concedida ao blog como Lehel combina de forma atraente futebol e arte.

“Futebol é uma inspiração para mim. Desde criança sou grande fã. Nasci na Romênia, mas tenho nacionalidade húngara e moro em Budapeste desde os 16. Nasci em Cluj, maior cidade da Transilvania, que abriga dois clubes na primeira divisão. O CFR Cluj conquistou 3 títulos nos últimos 5 anos. Engraçado que eu jogava lá quando tinha uns 12 anos, mas naquela época o Cluj estava na terceira divisão. Obviamente é o meu time do coração.”

“Torço também para o Ferencvaros, clube de maior prestígio na Hungria. Brilharam nos anos 60, época de ouro do futebol húngaro. Infelizmente, nos dias de hoje não há muito do que se orgulhar no futebol do país. Embora lentamente as coisas pareçam estar melhorando. Há uma safra nova de jogadores talentosos, tanto que a seleção ainda briga pela classificação à Copa. Também começamos a construir estádios modernos.”

SANTIAGO_BERNABEU_LEHEL

“A série de pinturas sobre os estádios está em curso, de modo que posso incluir mais tarde alguns húngaros e brasileiros. O plano é chegar a 100. Os primeiros foram escolhidos com base nos projetos arquitetônicos diferenciados. Uso técnicas mistas em minhas obras. Os contornos desenho com lápis e as cores são criadas digitalmente e com aquarela.”

“Além das pinturas dos estádios, tenho uma série de ídolos do passado. Certamente entrarão brasileiros. Devo inclusive produzir uma exclusiva sobre o Pelé. Gosto demais do futebol brasileiro, por sinal fiquei feliz que bateram a Espanha na Copa das Confederações. Neymar foi impressionante, estou curioso sobre como vai jogar no Barcelona.”

Para ver mais do trabalho de Lehel clique aqui.

CURTA NO FACEBOOK

SIGA NO TWITTER

A seleção de Daniel Nyari

Playmakers_Valderrama

O artista gráfico e ilustrador Daniel Nyari tem gosto refinado. Nota-se pelos traços e força de sua obra, bem como pelos modelos que escolhe. Na série “Playmakers”, retrata meio-campistas maestrais da história do futebol: Maradona, Zico, Cruyff, Zidane, Xavi, Iniesta e Messi. Nascido em Timisoara, na Romênia, não esqueceu de incluir o compatriota Hagi, brilhante na Copa de 90. Nyari migrou cedo à Áustria, apaixonou-se pelo futebol alemão, e hoje vive em Nova York, onde seu talento ganhou o mundo. Confira os principais trechos da entrevista concedida ao blog, intercalados por algumas de sua peças.

“Meu pai era jogador profissional na Romênia, então o futebol esteve perto desde cedo. Tão logo pude andar comecei a chutar uma bola. Minha cidade natal é Timisoara. Naturalmente é o time para o qual eu torço, embora o clube esteja em crise, constantemente envolvido em escândalos – não muito diferente do futebol romeno em geral. Em todo caso, não sou ligado ao futebol romeno, pois vivi por lá só cinco anos. Minha verdadeira paixão é o futebol alemão, originada quando morei na Áustria, enquanto todos meus amigos acompanhavam o campeonato local.”

Playmakers_Hagi

“Desde que comecei a desenhar eu queria retratar o que amava, no caso o futebol. Quando saía de casa jogava futebol; quando entrava desenhava. Tentava pintar meus jogadores favoritos. Costumava colecionar figurinhas e cards com retratos dos futebolistas e adorava tentar copiá-los. Hoje continuo a desenhar o que amo e sou grato por esse trabalho ter alcançado tantos pelo mundo.”

“Trabalho sobretudo digitalmente. Fiz a transição quando comecei a trabalhar com web e design gráfico. Até então eram na maioria pinturas a lápis. Esboço no papel, mas no final tudo é digitalizado em programas como Adobe Photoshop e Illustrator. Não há um artista específico em que eu me inspire, porém há os que admiro filosoficamente. Aprecio o minimalismo – a transmissão de uma imagem usando o menos possível de informação visual.”

“Formei-me em história da arte e, apesar de meu trabalho não parecer nada com pinturas impressionistas, eu as admiro. Gostei da ideia de ilustrar uma “impressão” – não é o que você vê totalmente, mas a memória de uma imagem capturada muito rapidamente e em detalhe. Atualmente eu amo as obras de pessoas como Noma Bar e Pablo Lobato, por exemplo – eles estão fazendo coisas interessantes usando formas simples e de linhas econômicas.”

DANIELNEYMAR

“Neymar (um dos seus últimos trabalhos) é um jogador fenomenal, sem dúvida. Até recentemente havia dúvidas e críticas negativas, normal hoje em dia devido à superexposição e a como todo mundo está na internet para dar opiniões.  Na Copa das Confederações ele provou ter amadurecido e se tornado responsável. Por isso não concordo com os que pensam que ele terá dificuldades na Europa. Ele é especial e um deleite para qualquer fã de futebol.”

Veja a série “Playmakerns” completa aqui, peças à venda disponíveis aqui,  e mais de Daniel aqui.

CURTA NO FACEBOOK

SIGA NO TWITTER

A Arte das Confederações

BRASIL ARTE DA COPA DAS CONFEDERAÇÕES

O projeto Arte das Confederações (já mostrado no IBWM) foi criado por um grupo de artistas modernos incumbidos de buscar inspiração em gênios da pintura e produzir um cartaz para cada uma das oito nações do torneio. Para o Brasil, país-sede, foi escolhida Tarsila do Amaral. Espanha e Itália elegeram Picasso e Leonardo da Vinci. As outras fontes selecionadas foram Utagawa Kuniyoshi (Japão), Joseph Amédokpo (Nigéria), Paul Gauguin (Tahiti), Carlos Páez Vilaró (Uruguai) e Jorge González Camarena (México).

JAPÃO ARTE COPA DAS CONFEDERAÇÕES ESPANHA ARTE COPA DAS CONFEDERAÇÕES ITALIA ARTE COPA DAS CONFEDERAÇÕES TAHITI COPA DAS CONFEDERAÇÕES MÉXICO COPA DAS CONFEDERAÇÕES URUGUAI COPA DAS CONFEDERAÇÕES nigéria copa das confederações

Mais informações em http://artoftheconfederations.tumblr.com/ .

CURTA NO FACEBOOK

SIGA NO TWITTER

Old Trafford, por Brendan Higgins

BRENDAN 0

Brendan Higgins pinta o Old Trafford. Irlandês, na região onde cresceu as famílias tinham raízes nas principais cidades inglesas. Optou pelo Manchester United por influência do tio. Tem também quedinha pelo Flamengo. Diz ele que por conta das cores. Mas deixou no ar outro motivo: o sogro é vascaíno.

BRENDAN 2

O editor da Red News, revista sobre o Manchester, descobriu Higgins há três anos por meio de posts – pinturas sem ligação com futebol – no Twitter. Desde então o manteve como colaborador. Higgins resolveu focar nas situações de arquibancada, daí a empatia imediata com o jornalista que vos escreve.

BRENDAN 1

Confira abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao Futebol de Campo. Para apreciar mais ou comprar obras do artista acesse Chinatown Branch Art Shop. Vale a pena.

“Tenho 39 anos, sou arquiteto. Eu desenho e construo jardins de terraços em Manhattan. A pintura me acompanha desde os tempo de Irlanda. Moro em Nova York desde 1999.”

“A maioria das famílias na região da Irlanda onde cresci tinhas ligações com Londres, Manchester e Liverpool. Muitos membros dessas famílias moraram e trabalharam nessas cidades. Como resultado, você tinha três opções nos anos 80. Torcer para Manchester, Arsenal ou Liverpool. Meu tio era fã do United e tratou de me doutrinar cedo. Nem o futebol medíocre do time ou jejum de títulos, época em Liverpool triunfou, foi capaz de mudar isso.”

 BRENDAN 4

 “Há cerca de três anos comecei a postar imagens de pinturas, sem ligação com o futebol, no Twitter. O editor da revista do United ‘Red News’ viu alguns e perguntou se eu gostaria de tentar uma peça do Manchester para a revista. Percebi cedo que nunca conseguiria competir com artistas especializados em futebol que têm habilidade para retratar os jogadores com muita semelhança, então eu tive realmente de procurar um ângulo único para o meus trabalhos.”  

“Foquei na imagem das arquibancadas e tentei capturar os momentos de gols do United. Ou visões do estádio lotado, multidões caminhando pelo estádio. Tenho também uma série de pinturas abstratas usando as cores do Manchester  numa tentativa de encontrar outro (espero) ângulo único.” 

“Meu sogro é do Rio e Janeiro. Vascaíno. Disse que porque o pai dele era flamenguista! Suponho que não se davam muito bem. Não acompanho de perto o futebol brasileiro, contudo tenho uma quedinha pelo Flamengo. Provavelmente pelo vermelho e preto da camisa!” 

BRENDAN 5

CURTA NO FACEBOOK

SIGA NO TWITTER

Brasil x Todos, parte 2

brasilxvarios_web_120x100m (1)

Brasil x Vários

Pinturas do carioca Jorge Vitor. Já escrevi aqui sobre seu livro. Brasil x Todos tem lançamento pré-marcado para  junho deste ano no Salão Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Composta exclusivamente por ilustrações, a obra narra um duelo entre Brasil e uma seleção mundial.

Brasil x Argentina

Brasil x Argentina

Brasil x Argentina (acima) é um apanhado de desenhos do livro. A pilha de brasileiros (abaixo), também fruto do projeto, estará diferente na publicação. Vitor usa tinta acrílica sobre linho nas obras. Para ver mais clique aqui.

Gol do Brasil

Gol do Brasil

Vascaíno fanático, o artista falou um pouco ao FUTEBOL DE CAMPO acerca da ligação entre seu ótimo trabalho e o esporte bretão:

“Joguei bola toda a vida, de criança aos 40. Hoje tenho 55. Fui ao Maracanã dezenas de vezes ver o Vasco. Já escrevi cordéis sobre futebol. Desde os 11 anos tem gente que só me conhece pela alcunha de Bacalhau. Ou seja, é difícil não deixar o tema influenciar meu trabalho.”

CURTA NO FACEBOOK

SIGA TWITTER

Tributo ao torcedor, por Paine Proffitt

Aberdeen

O torcedor é o centro da obra de Paine Proffitt. Filho de jornalista, um correspondente de guerra da revista Newsweek, o artista passou a infância por países como Vietnã, Líbano, Quênia. O futebol ainda não lhe chamava a atenção. Na adolescência, regressou à terra natal – os EUA. Adulto, motivado por um relacionamento, mudou-se para a Inglaterra. Lá sim aflorou a paixão pelo esporte bretão. Especialmente pelas torcidas.

“Os torcedores são o sangue de um clube. Jogadores, gerentes, proprietários, e até os jogos vêm e vão. Mas os fãs estão sempre lá. Em muitos casos seus pais lá estavam antes deles e seus filhos lá estarão atrás deles”, define

sport

De influências surrealistas e cubistas, Proffitt cria usando camadas de acrílico sobre suas telas.  Cor e textura são construídas de forma constante ao longo de vários dias antes de os dados, elementos de colagem e letras, serem adicionados. Para apreciar mais desse belíssimo portfólio, clique aqui. 

E confira abaixo trechos da entrevista que Proffitt concedeu ao Futebol de Campo no último dia 27 de março.

“Nasci nos EUA, mas cresci pelo mundo. Meu pai trabalhava para a revista Newsweek como correspondente de guerra, então nos mudamos diversas vezes quando eu era criança. Morei no Vietnã, Líbano, Quênia. Quando ele deixou a revista fomos para a Filadélfia, onde passei a adolescência. Estou com 40 anos, há 12 vivo na Inglaterra, em Stoke-on-Trent.”  

“Estudei na Rhode Island School of Design (RISD), em Providence, nos EUA. Passei também um ano na Universidade de Brighton, minha introdução à Grã-Bretanha. E ao futebol. Depois de formado trabalhei como ilustrador freelancer nos EUA por alguns anos. Em seguida, por conta de um relacionamento, voltei à Inglaterra. Continuei como ilustrador, porém logo fiquei frustrado. Não gostava de atuar em cima da obra de outros. Queria ter a liberdade de pintar temas que apreciava, sobretudo futebol. Tenho trabalhado como artista independente desde então.”

paint1

“Apaixonei-me pelo futebol. Queria focar nele minha obra. No princípio gostava de pintar o jogo. Mas quando comecei a sentir o espírito das torcidas passei a abordar esse lado. Os torcedores de futebol são diferentes de todos os outros. Mais apaixonados, mais vocais. São o sangue que dá vida aos clubes. Jogadores, gerentes, proprietários e até os jogos vêm e vão. Os fãs, por outro lado, estão sempre lá. Em muitos casos seus pais lá estavam antes deles e seus filhos lá estarão atrás deles. Eles mantêm suas paixões. E é isso que dá emoção aos jogos. Queria retratar esse vínculo e prestar uma homenagem a essas pessoas em minhas pinturas.”

sport

“Sou torcedor do Port Vale FC, clube de Stoke, da quarta divisão. Comprei o carnê da temporada e tento assistir a todas as partidas. Costumava até trabalhar como mordomo para eles, mas podia fazer algo melhor. Produzo a arte dos programas com as informações da temporada. Faço também a arte dos programas do Aberdeen FC (Escócia) e do West Bromwich Albion (Premier League). Apego-me às equipes para quem trabalho. Fui recentemente à Escócia assistir a uma partida do Aberdeen, no Estádio Pittodrie. E estive em quase todos do West Bromwich na temporada passada, no Estádio Hawthorns. Quando estou criando os programas vou com maior frequência para conhecer melhor a equipe e o perfil dos torcedores.”

sport

“Nunca fiz nada sobre o futebol brasileiro, cuja beleza e paixão são mundialmente famosos. Espero pintar uma peça ou duas em breve.”

“Meu estilo vem de influências variadas. Programas e cartazes vintage de diferentes artistas e movimentos. Algumas peças são bastante influenciadas pela escola russa. Os velhos cartazes de propaganda comunista e obras de arte são fortes na sua concepção e mensagem. Busquei nessas técnicas mostrar o  futebol como uma equipe, forte e unificada.”

stoke

CURTA NO FACEBOOK

SIGA NO TWITTER

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: