Copa das Manifestações


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Fotos de Tomaz Silva/Agência Brasil

Nos anos 70, a frase “o futebol é o ópio do povo” estava em voga. O escrete de Pelé e Cia era um entorpecente eficaz em anos de chumbo. Veio a democracia. Ficou a alienação. Mas nos últimos dias, inesperadamente, o futebol serviu a uma causa nobre. Não que tenha deixado de alienar (ainda não chegamos a tanto), todavia desencadeou efeito inverso, a ponto de o megaevento Fifa ter se tornado também a “Copa das Manifestações”.

Protestos por todo país. Quase 150 mil em 11 capitais. Com excessos – vandalismo e violência policial. “São efeitos colaterais”, disse um coronel em entrevista. Prefiro dizer que nunca se ganhou guerra alguma com bofetadas de luva branca. O cavalheirismo funciona quando há somente cidadãos de bem de ambos os lados, quando não, as medidas tendem a ser outras.

Governo, Fifa e CBF ergueram a guarda nesta segunda (18). Criticaram o uso da Copa por “ativistas” e alertou: “não irá tolerar” movimentos que afetem o evento. Tarde demais. Se não afetou jogos, as vaias na estreia da seleção comandada pelo entusiasta de Pinochet deram outro tom à festa. Vale salientar que a vozearia no Mané Garrincha partiu da parcela que topou pagar caro pelo programa. Ou seja, em princípio não eram do contra.

Apostam políticos e executivos no arrefecimento dos protestos. Torcem declaradamente para que o avanço da equipe de Felipão traga de volta o ópio de outrora. Não creio. Na medida em que o Brasil ganhar, ganharão força também os protestos, pode pagar pra ver.

Pois na reta final serão multiplicados os holofotes voltados às mi(bi)lionárias arenas, cenário ainda mais atraente aos tais “ativistas”. Quanto maior o público, maior o eco de suas demandas, sejam elas ligadas aos gastos das Copas, ao aumento das tarifas de ônibus ou à PEC que tolhe o Ministério Público.

Arenas, aliás, retratos fieis do Brasil. Luxuosas por dentro, paupérrimas na periferia. Contraste forte, quem diria, a ponto de despertar do torpor gente que herdou toda aquela alienação cultivada nos anos de chumbo.

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